quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tiago Pereira na d'Orfeu

Destacamos aqui Tiago Pereira que esta a construir o Vídeo da d'Orfeu, que sairá para seus 15anos. Contemporaneidade vs tradicional, art, cultura, contexto e significado..........

"""""O realizador e Visualista Tiago Pereira, desenvolveu desde cedo uma linguagem própria na documentação, recolha, mistura de som e imagem animada. Os seus filmes são de origem transdisciplinar e remetem para manifestações de cultura imaterial, como as canções, rituais e performances.
http://ytrack.blogspot.com/
http://avmandrake.blogspot.com
http://vimeo.com/tiagopereira

A reescrita do guião em dez passos

Por João Nunes

A rees­crita do guião em dez pas­sos10.0102

Ter­mi­nou a pri­meira ver­são do seu guião? Para­béns! Já fez mais do que 90% dos can­di­da­tos a gui­o­nis­tas. Mas ainda há muito a fazer; nem pense em mos­trar o seu guião sem pri­meiro pas­sar pela fase da rees­crita. Por muita von­tade que tenha de ouvir outras opi­niões, nunca dê a ler a nin­guém, espe­ci­al­mente a um pro­fis­si­o­nal, um guião com que não esteja 100% satis­feito; não há uma segunda opor­tu­ni­dade para cau­sar uma boa pri­meira impressão.

Este artigo está, a título expe­ri­men­tal, dis­po­ní­vel como uma “folha de ajuda” em for­mato .pdf. Se achar esta solu­ção útil, deixe a sua opi­nião nos comentários.

Baixe aqui: A rees­crita em 10 pas­sos (145)

A rees­crita

O segredo de uma boa rees­crita é não que­rer cor­ri­gir tudo ao mesmo tempo. Fica mais fácil, e é mais pro­vei­toso, se pas­sar várias vezes pelo guião, abor­dando um deter­mi­nado tipo de pro­ble­mas de cada vez. É como se, em cada etapa, colo­casse uma lente dife­rente no seu olhar, para fil­trar uma e só uma faceta do tra­ba­lho. Veja­mos então o que tem de fazer, passo a passo:

  1. Repouso. Deixe o seu guião des­can­sar durante algu­mas sema­nas, duas no mínimo. Apro­veite para des­can­sar, cele­brar e come­çar a pen­sar nou­tros pro­je­tos. É per­mi­tido gabar-​​se junto da famí­lia, ami­gos e Face­book. Ao fim deste período de repouso, que lhe irá dar uma visão mais dis­tan­ci­ada e impar­cial do seu tra­ba­lho, imprima uma cópia em papel, arranje uma caneta ver­me­lha, e siga sem pie­dade as eta­pas seguintes.
  2. Lei­tura geral. Em pri­meiro lugar, dê uma lei­tura com­pleta ao seu guião, de um só fôlego. Pode tomar algu­mas notas de pro­ble­mas que lhe sal­tem logo à vista, mas não deixe que isso tire o ímpeto da lei­tura. O obje­tivo é sen­tir o ritmo, o balanço e a pro­gres­são natu­ral da estória.
  3. Enredo. As pri­mei­ras rees­cri­tas que fizer devem come­çar do geral para o par­ti­cu­lar. Nesta fase pode ser neces­sá­rio fazer gran­des alte­ra­ções à estó­ria ori­gi­nal — um arran­que novo, um final dife­rente, até mudar com­ple­ta­mente a ideia ori­gi­nal. Não tenha medo de expe­ri­men­tar. A pre­missa básica é forte? A ques­tão dra­má­tica está clara? Sente-​​se urgên­cia e pres­são no pro­ta­go­nista? Há sur­pre­sas e revi­ra­vol­tas sufi­ci­en­tes? Pro­cure os pon­tos fra­cos do seu enredo, os erros na lógica da estó­ria, os seg­men­tos des­ne­ces­sá­rios ou mais abor­re­ci­dos, as falhas no enca­de­a­mento das sequên­cias, etc. Seja abso­lu­ta­mente honesto con­sigo mesmo; se tiver dúvi­das em rela­ção a algum aspecto, não des­canse enquanto não tiver a cer­teza de que não con­se­gue escre­ver uma alter­na­tiva melhor.
  4. Per­so­na­gens prin­ci­pais. Esta tam­bém é a altura certa para fazer mudan­ças radi­cais nos per­so­na­gens: tal­vez o pro­ta­go­nista ideal seja um outro per­so­na­gem, ou deva ser mulher em vez de homem, ou moto­rista em vez de pro­fes­sor uni­ver­si­tá­rio. E o anta­go­nista, como é que pode ser melho­rado? Ana­lise os obje­ti­vos e moti­va­ções da cada per­so­na­gem cen­tral; são cla­ros e coe­ren­tes? Os seus per­cur­sos indi­vi­du­ais são lógi­cos? Os seus com­por­ta­men­tos são con­sis­ten­tes? As suas trans­for­ma­ções (no caso de as haver) são com­pre­en­sí­veis e justificadas?
  5. Estru­tura. Ava­lie a estru­tura do seu guião. Está no tama­nho certo (90 a 110 pági­nas)? O prin­cí­pio, meio e fim da estó­ria estão bem demar­ca­dos e equi­li­bra­dos (±25%/50%/25%). A estó­ria arranca rapi­da­mente ou arrasta-​​se no iní­cio? A inten­si­dade dra­má­tica segue em cres­cendo? O segundo acto tem massa crí­tica e con­sis­tên­cia dra­má­tica? O final tem um clí­max claro ou está confuso?
  6. Per­so­na­gens e enre­dos secun­dá­rios. Resol­vi­das as gran­des ques­tões, é altura de entrar numa malha mais fina. Ava­lie se os enre­dos e per­so­na­gens secun­dá­rios con­tri­buem para a estó­ria prin­ci­pal ou são meras dis­trac­ções. Se forem pou­cos, o guião pode pare­cer pobre; se forem demais, pode ficar con­fuso. Tam­bém por esta altura deve­mos come­çar a sen­tir qual o ver­da­deiro tema da nossa estó­ria. Nesse caso, como é que os per­so­na­gens e enre­dos secun­dá­rios podem aju­dar a tor­nar mais claro esse tema?
  7. Cenas. Passe para a aná­lise das cenas indi­vi­du­ais, da sua dinâ­mica interna, dos con­fli­tos e ten­sões. Certifique-​​se de que as cenas são mesmo neces­sá­rias. São cla­ros os moti­vos e obje­ti­vos de cada per­so­na­gem? Como estão escri­tas as des­cri­ções? São sucin­tas ou dema­si­ado arras­ta­das? A lin­gua­gem que usa é pre­do­mi­nan­te­mente visual, cine­ma­to­grá­fica? Só está a des­cre­ver o que pode ser visto ou ouvido, ou escre­veu coi­sas que não são fil­má­veis? O seu estilo de escrita é con­creto mas tam­bém evo­ca­tivo e ins­pi­ra­dor? Não escreva pará­gra­fos lon­gos demais e não use lin­gua­gem com­pli­cada ou bar­roca. Certifique-​​se de que cada cena tem ape­nas a dimen­são neces­sá­ria e sufi­ci­ente. Entre na cena o mais tarde pos­sí­vel, e saia o mais cedo que con­se­guir. Tente encon­trar for­mas inte­res­san­tes de ligar cada cena à que se lhe segue.
  8. Diá­lo­gos. Os diá­lo­gos podem come­car a ser revis­tos em para­lelo com a rees­crita das cenas, mas devem mere­cer pelo menos uma revi­são com­pleta só focada neles. Soam natu­rais? São escor­rei­tos e inte­res­san­tes? Há um sub­texto rico, ou são dema­si­ado lite­rais? Cada per­sonagem tem uma voz pró­pria e dis­tinta? Para ava­liar este último aspeto pode ser útil fazer várias revi­sões, cada uma do ponto de vista de um personagem.
  9. For­mato. Veri­fi­que se a for­ma­ta­ção que usou está cor­reta de acordo com os parâ­me­tros do mer­cado. Use ape­nas a fonte Cou­rier 12 e res­peite as mar­gens cer­tas para cada ele­mento (cabe­ça­lho, acção, per­so­na­gens, etc…). O for­mato é impor­tante por­que, teo­ri­ca­mente, ajuda a que cada página cor­res­ponda a um minuto de filme. Se usar um soft­ware de escrita como o CeltX isto fica mais fácil. Se usar o Word, pro­cure um modelo como aquele que eu indico no blogue.
  10. Gra­má­tica e orto­gra­fia. Por fim, cor­rija a cons­tru­ção das fra­ses, e reveja as “gra­lhas”. Não des­cure este último aspecto  —  um guião mal escrito e cheio de erros de orto­gra­fia (como já vi alguns) tem um ar muito pouco “profissional”.

Durante todo este pro­cesso, não se esqueça de se pôr sem­pre no papel do lei­tor e, prin­ci­pal­mente, do espec­ta­dor do filme final. Em cada momento, em cada cena, que infor­ma­ção é que eles já têm? O que é que sabem e o que é que lhes falta ainda des­co­brir? Que emo­ções devem estar a sen­tir? O que pode ser melho­rado para os man­ter agar­ra­dos à estória?

Quando achar que, sozi­nho, já não con­se­gue melho­rar o seu guião, está na altura de pedir ajuda externa. A pri­meira coisa a fazer é registá-​​lo no orga­nismo público com­pe­tente. Em Por­tu­gal é o IGAC, no Bra­sil é o Escri­tó­rio dos Direi­tos Auto­rais de cada Estado.

Depois de regis­tado, dê-​​o então a ler a pes­soas da sua con­fi­ança, que tenham a capa­ci­dade de inter­pre­tar um guião. Conte com algum tempo para esta etapa, pois não é fácil arran­jar a dis­po­ni­bi­li­dade neces­sá­ria para fazer uma lei­tura atenta de um guião.
Prepare-​​se para alguma sur­pre­sas. Quem lê um guião sem ideias fei­tas vai des­co­brir aspec­tos — posi­ti­vos ou nega­ti­vos — que lhe podem ter esca­pado. Não é obri­gado a acei­tar todas as crí­ti­cas e suges­tões que lhe sejam fei­tas, mas não adi­anta muito dar a ler um guião se depois ado­tar uma ati­tude mera­mente defen­siva em rela­ção ao que escre­veu. Man­te­nha o espí­rito aberto e aceite a neces­si­dade de vol­tar a rees­cre­ver o seu guião, se isso con­tri­buir para o melhorar.

Repita este pro­cesso as vezes que forem neces­sá­rias. Só depois de todas estas eta­pas cum­pri­das deverá colo­car o seu guião nas mãos de um pro­du­tor ou rea­li­za­dor, com a segu­rança de estar a mos­trar o seu melhor trabalho.

Boas (re)escritas.

Conselhos de Almodovar para guionistas

<a href="http://video.msn.com/?mkt=pt-BR&amp;from=sp&amp;vid=4c08aca6-7654-4f41-ba75-393e880acc0b" target="_new" title="Conselho de Pedro Almodóvar aos Roteiristas">Video: Conselho de Pedro Almodóvar aos Roteiristas</a>

Um excerto de uma entre­vista curta de Pedro Almo­do­var a um pro­grama de tele­vi­são ame­ri­cano, com alguns con­se­lhos do mes­tre aos jovens guionistas.

Curso rápido: O que é um guião?

Por João Nunes

Curso rápido: O que é um guião?10.0101

Há quem lhe chame guião e quem pre­fira argu­mento; anti­ga­mente, era fre­quente dis­tin­guir o argu­mento dos diá­lo­gos; no Bra­sil fala-​​se em roteiro. No meio disto tudo, do que é que esta­mos exac­ta­mente a falar?

Um guião é dife­ren­tes coi­sas para dife­ren­tes pes­soas. Esta defi­ni­ção não parece ser uma grande ajuda mas é essen­cial entendê-​​la bem; mui­tas con­fu­sões, mal-​​entendidos e até con­fli­tos nas­cem da igno­rân­cia desse facto.

Ao longo das diver­sas fases da sua exis­tên­cia, desde a página em branco até ao filme fina­li­zado, o guião passa por mui­tas mãos:

  • O gui­o­nista
  • O pro­du­tor
  • O lei­tor
  • O rea­li­za­dor
  • Os finan­ci­a­do­res
  • Os acto­res
  • A equipa técnica

Para cada uma des­tas pes­soas o guião repre­senta uma coisa com­ple­ta­mente diferente.

As fun­ções do guião

Para o seu autor — o gui­o­nista — o guião é uma obra lite­rá­ria, ori­gi­nal ou adap­tada, atra­vés da qual ele conta uma his­tó­ria, desen­volve per­so­na­gens e rela­ções, explora situ­a­ções e con­fli­tos, apre­senta ideias e temas e, de forma geral, dá livre curso à sua ima­gi­na­ção e ímpeto cri­a­tivo. É, pois, uma obra artís­tica, um pro­duto da sua ins­pi­ra­ção e trans­pi­ra­ção, um filho que ele vai que­rer pro­te­ger a todo o custo.

Para um pro­du­tor de cinema, por outro lado, o guião é um docu­mento de tra­ba­lho que lhe vai ser­vir para esti­mar um orça­mento de pro­du­ção; para obter finan­ci­a­men­tos e co-​​produtores, naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais; para ali­ciar o rea­li­za­dor e o elenco; enfim, para poder arran­car com a pré-​​produção de um filme. O pro­du­tor apre­cia a qua­li­dade intrín­seca do guião, o seu valor artís­tico; mas valo­riza sobre­tudo a sua capa­ci­dade de vir a transformar-​​se num filme.

Antes de che­gar à s mãos do pro­du­tor, o guião passa mui­tas vezes pelas mãos de um “lei­tor”. Este é uma pes­soa a quem o pro­du­tor paga para ler, ava­liar e comen­tar, num rela­tó­rio sucinto, os mui­tos guiões que lhe che­gam à s mãos, ser­vindo como um pri­meiro fil­tro para sepa­rar o trigo do joio dra­má­tico. Sedu­zir e entu­si­as­mar estes even­tu­ais “lei­to­res” (que mui­tas vezes são tam­bém gui­o­nis­tas ou aspi­ran­tes a tal) é outro papel essen­cial para o guião.

Para os finan­ci­a­do­res, sejam eles o júri de um con­curso público, exe­cu­ti­vos de uma empresa da espe­ci­a­li­dade, ou inves­ti­do­res pri­va­dos, o guião é a pri­meira prova da via­bi­li­dade do filme. É um sinal do empe­nha­mento do pro­du­tor, de que já há tra­ba­lho rea­li­zado, de que não se está ape­nas a dis­cu­tir ideias mas sim uma rea­li­dade pal­pá­vel. O finan­ci­a­dor vai olhar para o guião ten­tando ver as suas pos­si­bi­li­da­des artís­ti­cas ou comer­ci­ais (o cri­té­rio varia de caso para caso). Mui­tas vezes, é ape­nas com base no guião que ele vai deci­dir se aplica o seu dinheiro neste filme ou num dos mui­tos outros pro­jec­tos que lutam pela sua atenção.

O rea­li­za­dor, por sua vez, tem ainda uma visão dife­rente do guião. Pode não ter sido ele a escrevê-​​lo (embora isso acon­teça algu­mas vezes) mas vai competir-​​lhe a si lide­rar a equipa que fará o filme. O rea­li­za­dor ana­lisa assim o guião sob pelo menos três pers­pec­ti­vas: a artís­tica — o que é que nes­tas pági­nas me tocou, me fez vibrar, me levou a acei­tar esta tarefa -, a téc­nica — que pas­sos vou dar para trans­for­mar estas pági­nas nas ima­gens e sons que povo­a­rão o écrã — e a pes­soal — como é que este guião vai con­tri­buir para a minha evo­lu­ção e carreira.

Para os acto­res, que são outro ele­mento cru­cial desta com­plexa equa­ção que é fazer um filme, o guião é a porta que lhes abre a vida íntima dos per­so­na­gens que vão inter­pre­tar na tela. Se estes per­so­na­gens não esti­ve­rem bem carac­te­ri­za­dos, os seus diá­lo­gos não forem ricos e ade­qua­dos, os seus com­por­ta­men­tos e acções não foram con­ve­ni­en­te­mente moti­va­dos e expli­ca­dos, o actor terá difi­cul­dade em fazer bem o seu trabalho.

Final­mente, para a equipa téc­nica — o direc­tor de foto­gra­fia, o assis­tente de rea­li­za­ção, o direc­tor de arte, etc. — o guião é um ins­tru­mento de tra­ba­lho essen­cial que os ori­en­tará nas suas fun­ções. Cada um irá lê-​​lo e anotá-​​lo à sua maneira. O direc­tor de foto­gra­fia, ao ler uma cena, vai pen­sar em ambi­en­tes e emo­ções, e vai esco­lher as len­tes e as luzes cer­tas para os obter. O assis­tente de rea­li­za­ção, por seu lado, vai preocupar-​​se com aspec­tos prá­ti­cos — quanto tempo vai isto levar a fil­mar, de que recur­sos vamos pre­ci­sar, etc.

Mas o que é mesmo um guião, afinal?

Um guião é um docu­mento escrito que des­creve sequen­ci­al­mente as cenas que com­põem um filme e, den­tro de cada cena, as acções e diá­lo­gos dos per­so­na­gens e os aspec­tos visí­veis e audí­veis que os condicionam.

Na prá­tica, o guião de uma longa metra­gem é um docu­mento impresso, que tem em média entre 80 e 130 pági­nas. Se for escrita num for­mato cor­recto cada página do guião cor­res­ponde grosso modo a um minuto de filme. Como não é nor­mal os fil­mes terem menos de 8090 minu­tos nem muito mais de duas horas, qual­quer guião que fuja a estas dimen­sões é logo olhado com alguma desconfiança.

Os guiões para TV terão for­ma­tos mais vari­a­dos. As séries dra­má­ti­cas de uma hora encai­xam razo­a­vel­mente nos parâ­me­tros acima des­cri­tos. Já as sit­coms, que duram menos de 30 minu­tos, mas são nor­mal­mente cheias de diá­lo­gos ditos num ritmo rápido, podem ter guiões pro­por­ci­o­nal­mente mais longos.

O for­mato do guião pode variar de país para país, até de pro­du­tora para pro­du­tora, mas todos os guiões têm algu­mas coi­sas em comum:

  • A iden­ti­fi­ca­ção sequen­cial das cenas que com­põem a história
  • A des­cri­ção dos eventos
  • A iden­ti­fi­ca­ção dos personagens
  • Os seus diálogos
  • Algu­mas indi­ca­ções téc­ni­cas relevantes

O ideal é ver um exem­plo prá­tico, o que fare­mos em breve, mas antes disso há ainda um aspecto do guião que é muito impor­tante compreender.

O guião não é o filme

Ape­sar de ser uma obra artís­tica, o guião rara­mente chega aos olhos do público final a não ser atra­vés do filme no qual, ide­al­mente, se vai trans­for­mar. Desse ponto de vista o guião não é um fim em si; é um meio de che­gar ao filme. É como uma cri­sá­lida — a sua beleza está na bor­bo­leta que dela vai nas­cer, e não em si mesma.

É tam­bém fun­da­men­tal per­ce­ber que, devido à natu­reza cola­bo­ra­tiva da arte do cinema, o guião está sujeito a mui­tas trans­for­ma­ções e mudan­ças. E nem todas serão sem­pre do agrado do gui­o­nista. Depois que a pri­meira ver­são do guião sai das suas mãos, mui­tas pes­soas vão pedir (ou exi­gir) ao gui­o­nista que lhe intro­duza alte­ra­ções. O pro­du­tor, por razões cri­a­ti­vas, prá­ti­cas ou finan­cei­ras; o rea­li­za­dor, por moti­vos artís­ti­cos, téc­ni­cos (ou de ego); e outras pes­soas, com outras jus­ti­fi­ca­ções, umas vezes razoá­veis, outras nem tanto.

É bom o gui­o­nista estar pre­pa­rado para esta rea­li­dade. Nos con­tra­tos que vai assi­nar, salvo raras excep­ções, terá sem­pre de dei­xar em aberto a pos­si­bi­li­dade de outros gui­o­nis­tas pode­rem rees­cre­ver o seu guião e alte­rar a sua obra — e mui­tas vezes isso acon­tece mesmo.

Se acha que não con­se­gue acei­tar isso, é melhor desis­tir agora mesmo. Tal­vez o tea­tro, a lite­ra­tura ou a escrita de um diá­rio (ou de um blo­gue como este) sejam melho­res esca­pes para a sua von­tade de criar. Mas se está dis­posto a lidar com esse facto ou, melhor ainda, se a natu­reza cola­bo­ra­tiva do cinema é o que lhe agrada nesta forma de arte, então pode con­ti­nuar a ler. Está no bom caminho.

Perguntas & Respostas: guiões publicitários

Por João Nunes

Caro João
a publi­ci­dade tam­bém usa guiões, nos dife­ren­tes tipos de media de que se serve? Se sim, quais são as gran­des dife­ren­tes entre um guião p/​publicidade e um guião p/​ficção p/​cinema ou TV?
Berni

Berni, em publi­ci­dade, como em qual­quer meio audi­o­vi­sual que impli­que um tra­ba­lho com­plexo de uma equipa grande de pro­fis­si­o­nais, tam­bém se usam guiões. Além das dife­ren­ças espe­cí­fi­cas da lin­gua­gem publi­ci­tá­ria, estes guiões, de forma geral, são mais sim­ples do que os guiões de cinema ou tele­vi­são, e não têm um for­mato tão estandardizado.

Por exem­plo, não se divi­dem nor­mal­mente as cenas com cabe­ça­lhos (INT. CASA — DIA) como é obri­ga­tó­rio fazer nos guiões de cinema e tv. A defi­ni­ção dos locais onde se passa a acção fica assim a cargo dos pará­gra­fos de des­cri­ção, jun­ta­mente com as des­cri­ções de per­so­na­gens, efei­tos espe­ci­ais, etc. O guião resul­tante fica mais pare­cido com uma sinopse deta­lhada, com os diá­lo­gos e locu­ções inter­ca­la­dos no texto.

Quando se trata de fil­mes um pouco mais com­pri­dos, como os cha­ma­dos vídeos ins­ti­tu­ci­o­nais, é mais comum encon­trar um outro for­mato, em duas colu­nas. Nesse for­mato (que pode ser escrito com qual­quer pro­ces­sa­dor de texto, como o Word ou o Pages, ou com um pro­grama espe­cí­fico, como o Final Draft AV) a página é divi­dida na ver­ti­cal em duas colu­nas. Do lado esquerdo (VÍDEO) ficam as des­cri­ções (locais, acções, per­so­na­gens, efei­tos visu­ais, etc) e do lado direito (ÁUDIO) os diá­lo­gos, locu­ções, músi­cas e efei­tos sono­ros correspondentes.

Não deve­mos con­fun­dir este for­mato audi­o­vi­sual com o for­mato “esquerda/​direita“[1] usado em mui­tos guiões de tele­vi­são em Por­tu­gal; nesse for­mato tele­vi­sivo os diá­lo­gos ficam tam­bém do lado direito e as des­cri­ções (e cabe­ça­lhos) do lado esquerdo, mas estes ele­men­tos não andam em para­lelo, e sim alter­nando entre si, em sequên­cia.

Notas de Rodapé

  1. Este for­mato é um perigo para os acto­res mais pre­gui­ço­sos, que só lêm a coluna da direita — os diá­lo­gos — per­dendo por vezes aspec­tos impor­tan­tes da acção des­cri­tos na coluna da esquerda []

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Baraka



link do Baraka e dos documentários > http://www.spiritofbaraka.com/

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SPOT VIDEO - FOGO'09





Vídeo realizado para promoção do festival, editado e filmado por Jorge Madeira.